Os lúcidos seguidores

20 de mai de 2010

Vícios

Instantes decorrem tão breves, horas caiem, como caiem a chuva, dias desabam feito tempestade e você nem ao menos percebi que o mundo ao seu redor, alterou complemente, sua mente estagnada num ciclo deprimente, isso tudo faz você não ver, o que todos vêm como prazer, a cada momento de abstinência, loucuras tão sãs aparecem para nos maltratar, e nos julgar como fracos e inconseqüentes e que devemos nos entregar ao nosso martírio, depois à vontade vem sutil e os pensamentos vêm brotando, e o vicio chegando ao seu ápice consequentemente, vem se encaixando perfeitamente como uma luva pré-moldada, para te satisfazer a momentos tão rápidos quanto um segundo, e tirar-te momentos futuros tão longos quanto uma vida, esse é o equilíbrio do vício ganho um insignificante prazer, para morrer tão cedo quanto um inseto.

Olhos



Quando te vi nos olhos, vi nele o mar de ilusões com suas realidades afogadas, vi neles o brilho falso da lente hipócrita, os teus rebentos imprimiam a tua verdadeira face, que refletida pela luz mostrava todo o fato em comum, que existia entre você e o mundo, teu rosto entornava contentamento, mas sua alma se calava no relento, suplicando aos ventos um sentimento que fizesse fazer de novo os mesmos olhos mitigados ressurgir e fulgir de novo, os olhos secos e feridos, choravam como chora uma criança, mas  os olhos ainda estavam secos.

18 de mai de 2010

Película

Ontem ao sair de casa quando o sol bateu em meus olhos e quebrou a película ilusória que me separava a realidade da verdadeira realidade, me deparei com um mundo, um mundo que não conheço, e vi como as pessoas se fingem tão bem de pessoas, e como elas vivem em função do nada, para buscar alguma coisa no meio de algo perdido que não existe, vi até os sentimentos, ultrapassados perante nossas visões, retrogrado perante nos, me sentir tão vazio ao ver aquele mundo, que minha alma fazia um eco no corpo, redimir a minha insignificância e refiz a película.
- Dia lindo, perfeito

17 de mai de 2010

Crucificados pelo sistema

Digerindo o cérebro
Para alimentar a alma
Corroendo o corpo
Que o sistema produziu
Consumindo as plantas
Fazendo o Brasil
O mundo gira como gira o cachimbo
Na boca do vagabundo
Lavando as caras
Com a falta de vergonha

A Ressaca


Quando eu acordei e me deparei que sol já queimava e a luz já entrava em meu quarto, que as pessoas já passavam e me pisavam indiferentes, que meus olhos sórdidos e castigados já abriam completamente o suficiente para saber que estava acordado e que aquilo não era mais um sonho banal, minha cabeça martelava os segundos, cada segundo, para lembrar-me de que ontem havia bebido demais, Tum, Tum, Tum, Tum, cada segundo, a cada coisa que eu via, e tentava distinguir me lembrava aos poucos das quedas, dos erros e das loucuras de ontem, a vergonha caia como uma mascara perfeita para meu rosto, cada vez que andava, a cada segundo que passava, a cada tempo que a vergonha chegava, eu tentava esquecer, de que eu não era nada além de uma ressaca.

16 de mai de 2010

O delírio do anoitecer

O crepúsculo tardio e sua gradação negra
As nuvens alvas e os ventos frios
O negro me cobrindo assim vejo no leito
O deleite do sono, os olhos findam-se
Vejo no peito o negro do céu
No canto do quarto eu dormindo
Nos sonhos o negro me caça
A carcaça sem vida dorme ao negro
A noite se finda e o escuro se vai
Por inteiro o sol chega
Os olhos abrem para a luz
Assim terminando o anoitecer
E o perecer me conduz

A derrota

No sol nascente
Espadas e escudos
Tende a se afrontar
Vagarosamente os passos
Tende a se encontrar
Na sina do sol
Da-lhe partida mortal
Escudos encontram espadas
Espadas encontram cabeças
Que mancham a terra
Jaz vermelha do confronto
Sobraram espadas sem mão
E escudos sem reflexo
Sobrou sangue
Que agora mancham suas armaduras
Dos poucos que sobreviveram
Ao sacrilégio da derrota

Amor veneno

Eu te amo, mas você é um veneno, por isso morro

Poetas

Na rua lá de casa, na esquina onde o pé de castanholas brota do chão de prata com suas folhas de ouro, e as castanholas que fazem o barulho do tango, sento-me ao lado olhando o sol com seus raios que ofuscam ao bater nas folhas douradas, leio as poesias para os pássaros cantantes, que canta as operas e declama as prosas, depois da leitura viajante puxo-me a sombra sobre minha face e durmo sonhando em poesia ser, acordaste com vento frio do entardecer, levanto-me e dirijo-me a minha casa, que não é de doces, mais de sonhos, não posso ter as castanholas “tangueiras” e nem ouvir os pássaros declamadores, mas posso ter as poesias, a qual nos dias poderei viver, sonhando embaixo das castanholas e dormindo as declamações dos pássaros.

Poeta Enlouquecido

Mel doce amor
Doce veneno
Doce elo
De um contento
Vivo o mundo
Num momento
Vivo e aparento
Olha e me esquento
Com as coisas do mundo
Sem nenhum amor
Atento as pessoas
Vejo as canoas
Atravessarem os rios
Você os gritos
Dos meninos amarelo lá do rio
Você doce criança
De um momento da pança
Da fome de uma criança
Olha os olhos
De um desnutrido
De cultura e sabedoria
Olho o dia
Que anoitece sem mínimo pretexto
De texto incompleto
De poeta enlouquecido
Sou eu o castelo
A casa
O casebre
Sou a lebre
Sou eu