Os lúcidos seguidores

30 de mar. de 2012

O repelente



Ele se achava certo e trabalhador, se orgulhava pelos outros e exaltava as qualidades dos amigos, as mesmas qualidades que ele não tinha, talvez até tivesse boa intenção, talvez. Sua vida era medíocre, seu amor era falso, o seu corpo era gordo. Perdido dentro das próprias acomodações, preferiu viver uma utopia, do que encarar a realidade que o cercava, mas ele a ignora, a realidade é um veneno para ele, é um veneno. Agora tenta a todo custo esticar essa existência, tenta com unhas e dentes manter a velha e boa aparência de uma vida, mais ou menos perfeita. Todos ao seu redor já angustiados com tamanho mediocridade, começam a se afastar dando passos para trás, para que ele não perceba, que no fim será apenas ele, nesse mundo que o mesmo criou. Um mundo sem realidade, um mundo da mediocridade, um mundo em que seus defeitos fossem características de uma perfeição, um mundo dos ignorantes.

28 de mar. de 2012

A imaturidade e o dom de escrever


          

            Ela tem um dom, manipula as palavras como ninguém, mas sem maturidade fez de suas palavras, apenas uma história que não convém. Ainda jovem se sentia mulher, mesmo sendo insegura. Se apoiava nas palavras de amigas, que diziam aquilo que as mesmas achavam. Pobre mimada não sabia lapidar o seu dom, fazendo-o se perder em falsas juras.
            A vida malina nos ensina da pior forma, e, assim a vida fez com ela; castigou-a com a ausência e com a desilusão. Descobriu, em uma parte de sua vida, que o amor não era eterno, era apenas um momento, que diziam ser eterno.
            Caída no chão se lamentava de sua vida.
            - Por quê? – perguntava para si mesma repetidamente, não entendia o porque de tudo aquilo.
Suas lágrimas lavavam o chão.
            - Não – gritava ela, jogando, amassando e rasgando os papéis que ficavam em cima da sua mesa.
            Sentou em sua cadeira e pegou o primeiro papel na frente dela. Sentada olhou fixamente para aquele objeto branco e delicado e ,ali, ela pode ver refletida sua realidade.
            A casa vazia e ela cheia de tudo.
            Se perdeu em seu próprio mundo, se achava tantas coisas e, no final, talvez de uma forma banal, descobriu que tudo era apenas um simples ilusão, alimentada por ela e destruída pela vida.
Andou até a área de serviço, já aceitava seu destino. Pegou a corda de varal, amarrou na janela.
            - vamos você consegue – dizia ela lembrando de suas ilusões, para assim criar coragem.
            - VAAAMMOS – gritou ela, talvez numa forma de catarse.
            - Vamos sua vadia – disse se flagelando com a mão.
            Olhou para a corda e viu sua coragem esvair, ao virar de costas para ir embora, ficou a imaginar com que cara enfrentaria o mundo agora, só de imaginar os risos que outros podiam dar, dos julgamentos ou pior das pessoas que tentaram ajuda-la, e ela negou rindo da cara deles, se dizendo capaz, nesse momento ela se encheu de coragem, e antes que ela fugisse, o fez.
            A corda era até resistente, mas não resistiu ao peso do corpo cheio de culpa e de ressentimentos e se rompeu.
            O corpo dela ficou estirado, ainda respirava. Adormeceu com a pancada que recebeu na queda, adormeceu pensando em estar morta, pensando em acordar em um novo mundo. Não vai acordar em novo mundo, mais um nova mulher irá acordar em um mundo velho, agora lapidando o seu dom e quebrando as doces ilusões.



27 de mar. de 2012

Momentos de um homem



Ele tentou transformar a vida medíocre
Em tudo que o completasse e o iludisse
Achou que era homem, viu até verdade
Num passo em falso, viu de longe a ruína
Ilusão barata, se quebra pedaços em vinte
O homem, carcaça, se vê menino ferido
Nos últimos dias, viu a realidade
Realidade que o destruía
Viveu menino franzino, morreu homem realista

22 de mar. de 2012

Não mordo



Tem pessoas que fogem da gente, como se agente fosse algum bicho do sertão. Eu não mordo não, não tenho garras, nem bico de gavião, sou apenas um homem que ainda bate um coração. Não sou nenhum tipo de diabo, sou apenas uma criação. Não fuja de mim, sem motivos coerentes, eu juro pelos meus dentes cegos, que não mordo não.

20 de mar. de 2012

A poetiza



Ela foi tudo, amou até a última gota do seu amor, cantou em um tom sutil as canções, em que muitos deliraram de prazer ao ouvir. Foi poetiza no sentido verdadeiro da palavra. Amou as palavras que lhe faziam ser o que era, mulher temperamental e inesquecível. Fez do seu vicio, o seu fim e do seu fim, sua imortalidade.

19 de mar. de 2012

Um pouco de Cassia Eller


           
            Cassia Eller, esse é o nome de uma das maiores interpretes musicais brasileira. Cassia mal compôs em sua vida, no máximo três músicas, o que ela gostava mesmo era de interpretar e fez isso divinamente bem.
            Com uma presença de palco gigantesca, posso dizer que foi uma mulher que marcou a vida de muitas pessoas, pelas suas atitudes bem escancaradas, de uma forma que a definiu única, como no rock in rio de 2001, me lembro assistindo pela TV quando ela ainda estava no palco e de repente levantou sua blusa mostrando os seios para umas cem mil pessoas. Também marcou por sua vida em si, pois era homossexual assumida, não tinha "meias palavras" para falar no assunto, era totalmente liberal quanto a isso. Outro fato que marcou sua imagem, foi o fato dele ser usuária de drogas.

            Cassia foi minha primeira cantora ou banda que me identifiquei, depois eu viria a conhecer Raul. Com certeza foi algo que marcou minha infância, comecinho da adolescência. E até hoje ela ainda me inspira a muitos, textos, poesias e etc.
            Cassia era filha de militar e de uma dona-de-casa. Viveu em quatro estados. Nasceu em BH, ainda pequena foi para o Pará, dois anos depois, foi para Brasília, e nesta cidade começou de fato a cantar. Participou de corais, de uma banda de forró, de um trio elétrico denominado Massa Real e por fim tocou surdo em grupo de samba. Marcou em sua carreira com seu ecletismo musical interpretando diversos artistas, de estilos distintos, como: Chico Buarque, Beatles, Nando Reis, Cazuza, Frejat, Renato Russo, Riachão e entre outros.

           
           Cassia Eller teve um filho chamado Francisco, apelidado por ela de Chicão. Ela teve o filho com o baixista Tavinho, mas o pai não chegou nem a conhecer o filho, pois o mesmo faleceu pouco tempo antes dele nascer. Quando o filho de Cassia nasceu, acabou sendo criado com a sua companheira, Maria Eugênia, que posteriormente ganharia na justiça brasileira o direito de ficar com ele.
            2001, foi o melhor e também o último ano de Cassia Eller. Nesse ano ela foi para o Rock in Rio no qual, cantou ao lado de grandes nomes, chegou até cantar parabéns com o Dave Grohl, aproximou-se até cumprimenta-lo, já que Cassia Eller era uma fã declarada de Nirvana. E nesse mesmo ano, faria uma grande quantidade de shows que talvez nunca tivesse feito em sua vida, e assim vivendo um momento excelente de sua carreira, teve a oportunidade de gravar um DVD acústico, já que ela priorizava canções ao vivo e como gostava de cantar, no DVD, ela teve uma qualidade de músicos, como de letras e direção, conseguindo no começo da pirataria, mais de um milhão de cópias vendidas. O seu maior sucesso até hoje.
            E no dia 29 de Dezembro, viria a falecer de um ataque cardíaco. Dois dias antes do ano novo. Na época do ocorrido, houvera boatos de que tinha havido um erro médico, já que pensaram que ela estava tendo uma overdose por ser uma usuária de cocaína, mas na verdade tinha tido um ataque cardíaco.
            E ainda hoje é muito nítido para mim, lembrar do dia em que ela morreu. Lembro-me do exato momento onde estava, e da minha surpresa do fato de sua morte, e depois eu indo correndo para dizer para a minha mãe.

         

            A música malandragem, letra de Cazuza e Frejat, tem uma história bem curiosa, pois essa música era para Angela Rôrô, mas esta se negou a gravá-la, e a letra ficou perdida até que Cassia Eller no seu acústico, a grava e a torna imortal em sua voz. A letra pode ter sida escrita para Angela, mas hoje ninguém consegue ouví-la sem pensar em Cassia Eller.

17 de mar. de 2012

Carcará - Chico Buarque e João do Vale




João Batista do Vale mais conhecido como João do Vale. Ele foi compositor de várias canções, a mais famosa dentre elas foi carcará.

16 de mar. de 2012

A bebida, as desilusões e as consequências



Beberei uma dose para cada amor que tive
No mais velho e vistoso copo de cristal
Talvez na loucura real, faça isso sem medo
Mas com certeza a dúvida irar me tomar
Beberei de um só gole, sentido tudo aquilo rasgar
Descendo de goela abaixo, fazendo estragos
No final das doses não saberei, não mesmo
Se estarei sóbrio ou totalmente embriagado
Poderei eu ficar fora de mim com apenas um gole
Ou mesmo lúcido quando terminar a garrafa
Beberei, mas temerei as consequências
Não sei que efeitos poderiam ter hoje
Aquilo que eu senti quando eu era outro alguém

O mundo imediatista



Muitas pessoas nos dias de hoje, para não aceitarem alguma realidade, que muitas vezes não é algo ruim, mas que a sociedade dita ser ruim ou meio dita ser ruim, se deixam envolver em alguma ilusão, e fazem isso tão bem, que elas mesmo acreditam piamente que aquilo é a mais pura de todas as verdades. Vivemos em um mundo imediatista, um mundo que te cobra a todo instante, em que você tem que ser aceito por todos, ou quase isso, mas quando isso não acontece, o que podemos fazer? Quando não se tem onde se apoiar, algo para dar base. É ai que muitas pessoas inventam algo para ficarem de pé de igualdade, e para isso mergulham de cabeça em uma “verdade” qualquer, e assim inventam algo que os deixem melhores, afinal, ser solitário hoje em dia, com redes sociais, com celulares, e com mil e uma funções que já inventaram pelos eletrônicos a fora para unir pessoas, não é algo bem visto. Lutemos para termos cada dia mais, mais amigos em nossas redes, e ignoremos a nossa tão desprezada realidade ou a tão amada e odiosa solidão.

15 de mar. de 2012

Ela apenas se iludia



Ela se dizia livre do mundo que a cercava, ignorava o que todos diziam e se proclamava capaz, fazia um discurso exaltando suas qualidades e repetia o dizer: "dinheiro não traz felicidades. Por vezes até ensaiou atos de humildade, querendo assim provar suas palavras, momentos esses tão marcados e contados, que pareciam até planejados, peça de um teatro. Pois bem, o tempo passou e os anos mostraram o quanto fraco era o seu discurso, afinal o dinheiro comprou a opinião dela, não só a opinião, e ainda se entregou de braços abertos aquele mundo, afinal tudo ali no mundinho dela vem fácil, mas um dia ela vai descobrir o que acontece com o que vem fácil.

14 de mar. de 2012

Meu esconderijo



O livros e mais livros guardados
Guardam um pouco do meu passado
Escondidos nas entrelinhas
E os frascos vazios de perfume jogados ao  chão
Denunciam minha tola vaidade
Que tenho por essa minha imagem
De rapaz de bem e de poeta lúcido, aparentemente louco
As roupas fora do cabine, o terno amassado
A gravata perdida e a cama toda pisada
Exprimem todo o meu cuidado
Cuidado sincero, diga-se de passagem
Ao fechar meu quarto e partir
Deixo nele alguma parte desse meu eu
Perdida entre as bagunças que deixei
Entrelaçadas nas palavras que ali escrevi
Guardadas na memória de minha escrivaninha

Um mundo tão politicamente correto e chato




É tão repugnante, ser politicamente correto. Ter que seguir as regras de condutas, para sim, somente assim, sermos julgados coerentes e educados. Cadê nossas opiniões verdadeiras. Foda-se que sua opinião não presta ou é infundada, foda-se se as outras pessoas não vão gostar, seja você acima de tudo. E as inúmeras vezes que as pessoas privam de seu prazer e de sua satisfação, em nome de algo correto, que muitas vezes a própria sociedade esta se lixando para isso. Temos que falar aquilo que os outros querem ouvir, e agir como eles querem ver, para sermos bajulados, fingindo assim ideias e personalidades, afinal, as pessoas são de louça, não podem ser contrariadas, temos que ser todos nos politicamente corretos. 

Espalhadas pelo ar

Todo quarta, indicarei um curta-metragem, e hoje será esse: Espalhadas pelo ar


espalhadas pelo ar from vera egito on Vimeo.

Fotografia: Júlio Taubkin 
Roteiro: Carolina ZiskindVera Egito 
Som Direto: Cássio Koshikumo 
Direção de Arte: Flávia Rebello 
Empresa(s) produtora(s): Ioiô Filmes 
Som: Cássio Koshikumo 
Edição de som: Guile Martins 
Figurino: Iara WisnikThaísa Toledo 
Maquiagem: Siva Rama Terra 
Direção de produção: Victor A. Biagioni 
Assistente de Direção: Lucas Keese 
Assistente de Câmera: André Queiroz 
Produção Executiva: Lorenzo Giunta 
Direção de Fotografia: Júlio Taubkin 
Mixagem: Pedro Noisymen 
Montagem: FABIANA W. OTA 
Música: Luis MacedoLuiz Macedo 
Escola Produtora: ECA-USP 


Sinopse: Nas escadas de serviço de um prédio residencial, meninas fumam escondido dos pais. Tiram suas roupas, para evitar que o cheiro de fumaça as denuncie. CORA tem 30 anos. Ela mora no mesmo prédio que as meninas e está presa em um casamento infeliz. A mulher surpreende as meninas fumando. A partir daí, inicia seu caminho à liberdade. 

13 de mar. de 2012

As lástimas de um homem



As tuas lástimas pelas consequências do homem moderno
Pela obviedade do momento e pelas leis
Não podem ser traduzidas em poesia
Nem mesmo em simples palavras jogadas
As tuas lástimas escondidas entre teu peito franzino
Que inflama e te consome, só podem ser sentidas
E ao levar do tempo, consumidas
E no término, maturidade saciada de momentos, evoluirá
Sobre o homem, o mesmo que te ludibriou

O homem correto e o bêbado que fala demais


            

            Era um dia claro, sem muitas nuvens no céu. Ele acabara de acordar, ainda vestia o pijama todo amassado e calçava o chinelo, enquanto caminhava para a cozinha, para fazer o tão tradicional café preto.
            Era domingo, não tinha empregada, tinha que fazer tudo sozinho.
            - Ai que fome, o que será que tem na geladeira!
            A geladeira estava mais vazia que barriga de mendigo.
            - Ah não, só me falta não ter mais café, essas empregadas de hoje em dia!
            Ao abrir o armário, lá estava o pote de café. Ele subira numa cadeira para tentar pegar o pote, mas ao encostar os dedos viu que o pote não tinha nada.
            - Oh Deus, me ajude por favor.
            Ele corria para o quarto, trocava de roupa rapidamente e ajeitava os cabelos arrepiados.
            Colocou o agasalho, pois aparentava estar um dia frio, pegou a carteira e saiu fechando a porta do apartamento.
            Ainda era cedo, mal o sol tinha nascido ainda. No condomínio mal tinha gente andando por ele. Mas ao sair encontrou o Seu João, e o respondeu:          
            - Como vai camarada?
            - Vou bem e o senhor?
            - Levando a vida né...
            - Alguma novidade? Disse Seu João se afastando.
            - Nenhuma.
            O dia estava quente, e nem um pouquinho frio, tirara o agasalho e botou nos ombros. E ainda resmungara.
            - Esse tempo doido, sempre mudando.
            - Porteiro! Gritava ele.
            E o porteiro abriu a porta para ele sair. De onde ele estava, a padaria parecia ser longe.
            E foi caminhando...
            Logo depois do condomínio, tinha um barzinho, lá se encontrava um homem, visivelmente bêbado.
            - Oi. Dizia o bêbado fortemente, o fazendo parar.
            - Oi.
            - Sabe quem eu sou?
            - Um bêbado. Dizia em um tom de ironia.
            - Não diga, foi tão difícil assim perceber.
            Realmente aquele dia ele acordara de pé esquerdo.
            - Cara, continua bebendo aí que eu vou comprar minha comida.
            - Que é cara? Disse ele se levantando.
            - Hã?
            - Tu vai me ignorar só porquê eu estou bêbado? só porque sou zé ninguém, é isso? SEU HIPOCRITA! Gritava ele.
            - Cara tu pegou o cara errado, hoje eu acordei de mal humor.
            O bêbado foi para cima dele, e sem dificuldades ele deu um murro que o bêbado caiu no chão gemendo de dor.
            - Que merda essa? Dizia o dono do bar, Senhor Miguel.
            - Nisso que dá, deixar o bar aberto 24 horas, pra vagabundo beber.
            Ele aproveitou que outras pessoas chegaram para ajudar o bêbado caído e saiu para a padaria.
            E nesse tempo, já inconformado de ter tantas pessoas o ajudando, resmungava, como se tivesse falando com alguém.
            - Esse mundo esta perdido mesmo viu, até vagabundo tem mais direito que a gente.
            Ele ficara muito inconformado, se julgava o exemplar cidadão, dava moeda aos pobres, separava seu lixo, fazia tudo aquilo que a sociedade mandava. Para ser um cidadão exemplar, seguia à risca, as regras.
            Com as sacolas na mão e com sua boca “afiada”, foi em rumo ao seu condomínio, andava de olho no bar e no bêbado consolado agora por um rapaz, que já se despedia dele.
            O bêbado já olhava para ele, e ele devolvia o mesmo olhar, o coração batia frenético ao chegar perto.
            - E ai covarde, vai me ignorar de novo? Disse o bêbado rindo da cara dele, ria de jeito tão natural, que arranha a pouca lucidez que lhe sobrava.
            Ele nunca se sentira tão humilhado. E para piorar na hora que o bêbado riu dele, ao levantar a cabeça, viu outros mais a frente rindo. Se viu cheio de razão nesse momento, na verdade ele tinha tudo, menos razão na sua cabeça. O homem lucido e certo, ali se entregava a verdadeira forma, caía-lhe a máscara imposta para usar.
            O monstro se revelava.
            E um único chute derrubou o cadeira do bêbado, fazendo-o cair no chão, e a cadeira se espatifar.
            - Já não basta o que tu fez e agora quer me bater.
            - O QUE EU FIZ SEU RETARDADO? O monstro disse gritando.
            E ao correr deu um chute na cabeça do pobre bêbado, fazendo sua boca sangrar e sujar a rua.
            Na mesma hora algumas pessoas correram para segura-lo, e assim fizeram.
            - Que foi seu bêbado imundo? Você é um zé ninguém! Dizia ele achando estar cheio de razão.
            O bêbado se levantou, e disse:
            - Eu sou um zé ninguém mesmo, nunca neguei isso. Melhor do que ser um falso.
            Os vizinhos do seu apartamento, já o olhavam do outro lado da rua, já os via com rostos de negação, e outras pessoas também.
            O monstro se revelava, o homem que jaz ali, não existe mais, tamanha foi a humilhação para ele, que a razão se perdeu dentro de si.
            Jogou as sacolas no chão, fazendo varias coisas quebrarem e derramar a manteiga, o leite, e a garrafa de vinho, entre outras coisas.
            - Tudo bem, desculpas cara, eu perdi o controle.
            E assim o saltaram, deixando ele livre de qualquer amarra, assim o monstro esta solto, para fazer o que bem entender.
            O bêbado se levantou e foi em direção a ele. Na visão do monstro, pensou que levaria um murro, na visão do bêbado era apenas um abraço, de desculpas.
            O bêbado o abraçou e fincou no seu rosto, uma cara de espanto, a boca sangrando, semiaberta e paralisada no meio de tantas pessoas.
            O monstro sorria na sua loucura, até o homem voltar a si e se desesperar. O monstro quando ameaçado, não perdoa, no movimento que bêbado fez para cima dele, pegou o gargalo no chão e o fincou na barriga do pobre bêbado, no momento em que ele o abraçara.
            O corpo caia ao chão, e o homem que o feriu se desesperara, correu para seu prédio, fugindo dos homens que o queriam, se trancou no seu apartamento, e ficou no parapeito do seu prédio a admirar o chão que ficava na entrada. O corpo nas alturas, o chão distante, depois de alguns segundos, o chão e o corpo, na mesma dimensão.


12 de mar. de 2012

O absoluto




Não podemos nada, contra aquilo que é absoluto
A estátua de pedra, a vida ou a morte
Murros na parede de concreto, só machucaram os dedos
O improvável nos motiva, a desilusão nos acorda a tapas
A vida no seu jeito dissimulado, anda ao seu lado
Cúmplice de seus atos, te ensinando a existir
Não podemos nada, contra aquilo que é absoluto
Só podemos nos conformar ou lutar contra o improvável 

O Sétimo Selo - indicação de filme


          
É um filme reflexivo. Da década de 50, o filme busca uma reflexão sobre o homem e a temerosa morte. Numa época critica, pós-guerra, a humanidade ainda temerosa com os holocausto e com a bomba a atômica, o filme reflete um pouco disso, refletindo o que o mundo passava.

Nada pode enganar a morte, nem mesmo o mais sábio de todos os homens. Um cavaleiro que voltava das cruzadas, encontra-se com a morte, mas antes de ceder a ela, a faz uma proposta, se ela, a morte, o ganhar numa partida de xadrez, ele morre, se perder, ele vive. E nisso percorre o filme, até que no fim, ele tira a mais obvia de todas as conclusões, ninguém engana a morte.


É um filme antigo, mas que vale muito a pena ser visto.

10 de mar. de 2012

Eh Pagu, eh!




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http://www.portacurtas.com.br/


Produção: Rebeca Mc Mello 
Fotografia: José Roberto Sadek 
Roteiro: Ivo Branco 
Som Direto: Guga Bandeira 
Direção de Arte: Adão Pinheiro 
Câmera: José Roberto Sadek 
Narração: Ênio GonçalvesIvo BrancoJulia Pascale,Raul Cortez 
Assistente de Produção: Claudia Andrea FajuriCristina Winter 
Pesquisa Fotográfica: Ivo BrancoPaulo César De AzevedoVladimir Sachetta 
Montagem: Francisco magaldi 


Sinopse: O filme conta um pouco da vida e da obra de Patrícia Galvão, a Pagu. Casada com Oswald de Andrade, participou do Movimento Antropofágico. Jornalista, escritora e tradutora, entre outras coisas, ficou presa por quase cinco anos durante a ditadura Vargas por ser militante do PCB.