Os lúcidos seguidores

25 de jul. de 2010

O (a) bêbado (a)




Engraçado como as coisas tende a falar quando nos passamos da terceira garrafa de vinho, e como elas ficam lentas e sem graça, sendo todas elas com uma sinceridade sutil e ao mesmo tempo incrível, maldito seja o vinho que ao tomar, engana sua razão e alimenta sua boca para cuspir em mim, as palavras sinceras de um bêbado. Os cigarros jogados ao chão, as cinzas sujando a mesa, dando a ela uma cor não muito agradável, o cheiro que inala do meu corpo nada mais é que um cheiro mórbido, tudo que tem álcool é mórbido, a parede cinza é igual ao meu rebento, a porta aberta, escancarada, a casa vazia, a casa maltratada, choras, não eu, mas todo o resto que esta perto de mim, eu fumo um mais um cigarro me iludindo ao fim, me levanto num impulso irracional, e ando devagar, pois o mundo esta a balançar, em sua gangorra, eu andando atento, pois as paredes tende a se fechar, e o meu corpo que droga, continua insistindo em ir para trás, enquanto o que eu quero é ir adiante, mesmo que o adiante seja fruto da minha cabeça, ando pegando com afeto na parede, como se ela fosse alguém para mim, a que ponto cheguei, a lucidez tomou conta de mim, até que  fim conseguir chegar à sala, muito clara, queimava minha vista, andava em direção porta em quanto à luz me consumia afinal minha tristeza não tinha hora e nem dia, apenas ia, na solidão, caminhei para o cosmo e me desfiz em luz.

Momentos





Nos meus momentos de lucidez
Vejo meu corpo e minha alma
A louca loucura em escassez
As lucidezes que me acalma
Numa completa transmutação
Vejo tudo de uma só vez
Os tempos que passam em vão
Como se tudo fosse à alma
Mas a alma só tem uma vez
A vez do coração

24 de jul. de 2010

Desvios



Das rosas
Os espinhos
Dos corações
Os carinhos
Das pessoas
Os devios

O limite



O limite que separa você de mim
E a mesma que separa a razão da loucura
O nosso anseio delineia nosso fim
Você é minha insana e intensa cura
Nossos sonhos se encaixam
Na mais, ingenuidade, pura

O tempo


Da ilusão surgem momentos passageiros
Vêm-me realidades cada vez mais fracas
Meu corpo marcado de momentos ligeiros
As verdades cada vez mais raras
Fumo um cigarro para passar o tempo
Enquanto o tempo para

23 de jul. de 2010

A volta da noite




Andando por ai, indo de volta minha casa, olhando a ruas e as calçadas sujas vendo pichações, muros e paredes mal construídas, olhando rente o reflexo da lua, vejo o caminho deserto em que os ventos dançam na solidão, fazendo seu barulho tão sutil, nos meus ouvidos calejados, vejo o breu consumir minha visão, me iludindo ao meu objetivo, pois os meus olhos semi fechados não viam além da minha mão.
Ao passar um gato preto pulando de um muro a outro, fez meu coração acelerar, que eu senti meu corpo dormente há alguns segundos se apagar, parecia droga, alucinógeno, mas era adrenalina sussurrando nas minhas veias, e pregando peças na minha mente, dizendo que eu devia chegar, meus passos lentos se apressaram, meus olhos mortos ressuscitaram, olhava cada fresta, cada detalhe como se alguém tivesse a me olhar, paranóia, devia ser o sono, o cansaço, a fome e a noite, que insistia em me encantar, por alguns segundos cheguei a correr, na ânsia desesperada de chegar, minha visão já imaginava a esquina em que deveria dobrar, a noite era encantadora ao mesmo tempo ardilosa, mas razão chegou a me catucar, fugia do medo, afinal não tinha ninguém, mas naquele momento o ninguém era o medo, pois minha mente desenhava outro alguém, me fazendo assim a decantar e me devastava num jogo intricado que eu mesmo criei, depois de alguns segundos, que correram como se fossem horas, eu cheguei à esquina estreita, dobrei e fui em direção a minha casa, nessa parte da rua as paredes são brancas e estão já descascando, formando imagens aleatórias, a calçada batida, recém formada, quando levanto minha vista e vejo de longe o meu lar, correndo faltava-me o ar, estava a alguns passos, já não corria e o meu coração sossegado, chegando à frente da minha casa, pegava as chaves para entrar, entrei com uma pressa verdade, e entrei fechando rapidamente a porta, como se alguém quisesse me pegar, caminhava para porta da sala, meu corpo já desmoronava, e um sorriso nascia timidamente, quando de repente o som que não agrada, as batidas secas e bem marcadas na porta, meu cárcere privado se contraia, minhas veia entupidas de medo, meu sangue quente esfriava, meus olhos agora já turvos insistem teimosamente em se fechar, meu corpo caia e o som terminava, por alguns segundos só ouvia alguns passos que se afastava e sumia pelo mundo a fora, e depois o silêncio mórbido, enfim o dia surgia e assim começava, mas um domingo de carnaval.

22 de jul. de 2010

O cérebro ácido



O cérebro ácido mortificado
Não à pensamentos
A serem destruidos ou criados
Dissipados os momentos
Há somente o nada para desenvolver
E assim viver sua vida em falso
Servindo em bandejas prateadas
Guiando perante o nada
Seu cérebro numa bandeja quadrada
Idéias solúveis, momentos criados
Assim somos humanos desenhados
Traçados perante a linha desejo
Vivendo pro prazer
Sem nenhum ansejo

21 de jun. de 2010

Decaindo



Na fronteira do horizonte nebuloso
Vejo os olhos teus, me difundindo
Tua efígie implexa me deixa nervoso
A fragrância tua me confundindo
No alto, longínquo, perfeito, horroroso
Vejo-te veneno, maldoso surgindo
No meu corpo, subindo, corpo honroso
Que você na loucura de me dominar, me fez esculpindo
Nas dores do corpo, castigos teus, amor fogoso
Faz-me morrer, te amar, como as flores sumindo

19 de jun. de 2010

Amor,amor, ilusão

A minha amada me amarrar na dor
Prende-me abre a beira do paraíso
Engana-me nas entranhas do amor
Engana-me, iludindo-me a um sorriso

É como rosas a desabrochar
É como a dor, rouba-me o que mãe me deu
É o castigo, que me vicia a sonhar
É a loucura, como curar-me o me deus?

Queria poder te ter e fechar minha abertura
Queria aumenta minha dor, meu doce mel
Queria poder te beijar e você ser minha cura
Queria que você fosse minha cor, meu céu

1 de jun. de 2010

Amor Cíntianista

Da tua boca a porta se abriu
Escancararam-se os céus
Não é azul, não é frio
É vermelho é só mel
Na distancia paradoxal
Que separa nossos corpos
Deitado nas rochas
Nossas almas quase mortas
Teu olhar intensifica
O inabalável ser
Sei que meu cárcere fica
A um triz de perecer
Sei que é uma atriz
Desse amor Cíntianista
Só sei, sou feliz.
Independente do que exista