Os lúcidos seguidores

3 de nov. de 2013

Um segundo a frente



            A rua metafórica se transforma a cada grafite, e eu mudo a cada passo que dou, e por isso ando até o meu corpo fraquejar, ando no intuito de não ser aquele cara de um segundo atrás. Um segundo atrás eu era um cara qualquer, um segundo a frente sou o futuro, sou a resposta, sou uma ilusão.

2 de nov. de 2013

Cala-te

            
            O homem fala sem pensar, e assim cospe da sua boca, dizeres que comem as pessoas e as mostram a verdadeira dor, de morrer em vida, sofrendo ou chorando não sua dor, mas a dor do homem, que não sabe que as palavras cortam e também fazem sofrer.

            O homem sabe dirigir, sabe andar, sabe somar e sabe até dizer quando vai chover, o homem é quase fantástico, pois o homem ainda não aprendeu as coisas simples da vida, a ver o palmo a sua frente. O homem é tão pequeno, que vai matando os outros com palavras fracas, e que se engasga e se mata aos poucos, provando do próprio veneno que o seca, seco com uma fruta seca. As pessoas que ouvem o homem, apenas sentem pena. Eu sinto pena e fico com a vontade engasgada de dizer: Cala-te.

19 de ago. de 2013

Não banalize a solidão




            A solidão é a procura de si mesmo, perdida dentro do seu próprio ser. Solidão não é saudade, não é carência, não é a banalidade a qual as pessoas fingem. A solidão é alma. É poesia. É uma companhia inseparável do meu ser. É a noite eterna que faz o que sou. Apenas. Não banalize a solidão, se é carente ou sozinho, não a culpe. Se culpe.

17 de ago. de 2013

As velhas sustentações


                       O poder de julgar ou mesmo de “entender” o próximo, quão difícil é. A vida é uma mutação constante. A partir de atos, momentos e situações, moldamos nossa ideia efêmera ou não, sobre alguém, e assim com o tempo e a convivência aperfeiçoamos-a. Depois de observar algumas pessoas e lembrar de outras ao qual já vivi, vi e lembrei de muitas pessoas julgando outras baseadas em velhas sustentações, olhando com olhos caducos. Penso eu, que assim como todo o ser humano que se modifica com o tempo, temos que modificar nossas películas que circundam nossos olhos, e olhar todo dia, como um novo olhar, afinal cada dia pode ser uma pessoa diferente, em um mesmo corpo.
                       Tem que se ponderar, em um tempo em que a verdade é absoluta e que questionar a si mesmo, já não é uma qualidade tão vista, pelo menos por mim. Qualquer extremo seja ele qual for, levará a cegueira.

7 de jul. de 2013

Ela viu e não acreditou


            Ela olhou pela janela e viu suas raízes morrerem, não satisfeita e desiludida, mudou-se de corpo, como se o seu corpo, fosse algo que pudesse mudar. Com novos olhos e uma nova perspectiva, caminhou silenciosamente em direção a janela, um pouco tímida e sem jeito, segurando o braço e olhando para trás, faltava-lhe coragem. Em um impulso do momento, deu alguns passos para frente até enfim puder ver, a imagem que passava por aqueles vidros sujos e velhos, da pobre e ingênua janela. Nesse dia o desgosto caiu sobre ela, mesmo com outros olhos e um outro olhar, suas raízes ainda estavam a murchar, para sua maior indignação, quase tudo mudará, estava tudo tão belo.
            Suas raízes, são suas essências e de nada adianta mudar o frasco, se o conteúdo continua o mesmo. Triste, talvez cômico é não aceitar a realidade, desse nosso coração selvagem. É triste ver flores se abrindo e ao abaixar as cabeças descobrir que suas raízes de tão podres, já servem de adubo, para novas vidas.

            

Não preciso do óbvio


Não preciso ouvir o adeus
Para ver que o fim já esbarra em mim
Não preciso da obviedade
Para ver aquilo que eu sempre vi
Realidades que cercam e que me fazem
Não preciso ver seus olhos
Para saber de sua tristeza
Pois a tristeza já faz parte de mim
Não preciso de alguém
Talvez de você
Não preciso te falar certas palavras
Pois você sabe a realidade em que vive
E as ilusões que te alimentam
E não sou eu que vou ditar
Eu não preciso da obviedade
Preciso da complexidade
Complexa mulher que se desfaz
Se desfaz em pura simplicidade

5 de jul. de 2013

Falsa liberta


Ela se diz livre e louca, mas se prende a raízes que ela mesma cultivou e a maltratou. Mudanças se fazem ao mudar o rumo e não apenas dar uma mera volta.