Os lúcidos seguidores

10 de dez. de 2013

A caixa de pandora


- Posso abrir a caixa?
- Pode.
- O que tem dentro?
- Ninguém sabe, nem mesmo eu.
- Então eu vou ter que pagar o preço seja ele qual for, por abrir a caixa?
- É o risco que você vai ter que correr.
            A curiosidade matou o gato e também já matou o homem. O gato morreu de susto e o homem morreu de decepção. De qualquer jeito, foi tudo culpa da curiosidade. O desejo incontrolável. O preço impagável.
- Não vou mais abri-la.
A dúvida faz o homem recuar.
- Tem certeza?
- Não sei, só sei que não quero sofrer.
            A olhar a caixa a mente ardilosa se envenena de pensamentos, tentando prever o futuro, futuro esse em que a caixa já esta aberta. A mente o envenena. O veneno esta dentro dele e não fora. Maldita curiosidade. Maldita ilusão.
- Vou abrir.
- Esta bem, abra.
            Ao examinar a caixa não viu, nenhuma fechadura.
- Não precisa de chave?
- A caixa é fechada não por fechadura, mas sim pela vontade própria.
- E se ela não quiser abrir?
- É uma pena, só tenho a lamentar.
            O homem abriu a caixa aos poucos, até estar totalmente aberta.

            A curiosidade matou o homem, a sangue frio. O corpo estirado no chão, ao lado a caixa fechada. O homem aceita todo tipo de mentira, abraça qualquer tipo de ilusão, mergulha de cabeça nas armadilhas do amor, mas homem nenhum esta preparado para verdade. A verdade dói. A verdade machuca. A verdade absoluta acaba com qualquer tipo de ilusão, até mesmo a maior de todas, a vida.

3 de nov. de 2013

Um segundo a frente



            A rua metafórica se transforma a cada grafite, e eu mudo a cada passo que dou, e por isso ando até o meu corpo fraquejar, ando no intuito de não ser aquele cara de um segundo atrás. Um segundo atrás eu era um cara qualquer, um segundo a frente sou o futuro, sou a resposta, sou uma ilusão.

2 de nov. de 2013

Cala-te

            
            O homem fala sem pensar, e assim cospe da sua boca, dizeres que comem as pessoas e as mostram a verdadeira dor, de morrer em vida, sofrendo ou chorando não sua dor, mas a dor do homem, que não sabe que as palavras cortam e também fazem sofrer.

            O homem sabe dirigir, sabe andar, sabe somar e sabe até dizer quando vai chover, o homem é quase fantástico, pois o homem ainda não aprendeu as coisas simples da vida, a ver o palmo a sua frente. O homem é tão pequeno, que vai matando os outros com palavras fracas, e que se engasga e se mata aos poucos, provando do próprio veneno que o seca, seco com uma fruta seca. As pessoas que ouvem o homem, apenas sentem pena. Eu sinto pena e fico com a vontade engasgada de dizer: Cala-te.

19 de ago. de 2013

Não banalize a solidão




            A solidão é a procura de si mesmo, perdida dentro do seu próprio ser. Solidão não é saudade, não é carência, não é a banalidade a qual as pessoas fingem. A solidão é alma. É poesia. É uma companhia inseparável do meu ser. É a noite eterna que faz o que sou. Apenas. Não banalize a solidão, se é carente ou sozinho, não a culpe. Se culpe.

17 de ago. de 2013

As velhas sustentações


                       O poder de julgar ou mesmo de “entender” o próximo, quão difícil é. A vida é uma mutação constante. A partir de atos, momentos e situações, moldamos nossa ideia efêmera ou não, sobre alguém, e assim com o tempo e a convivência aperfeiçoamos-a. Depois de observar algumas pessoas e lembrar de outras ao qual já vivi, vi e lembrei de muitas pessoas julgando outras baseadas em velhas sustentações, olhando com olhos caducos. Penso eu, que assim como todo o ser humano que se modifica com o tempo, temos que modificar nossas películas que circundam nossos olhos, e olhar todo dia, como um novo olhar, afinal cada dia pode ser uma pessoa diferente, em um mesmo corpo.
                       Tem que se ponderar, em um tempo em que a verdade é absoluta e que questionar a si mesmo, já não é uma qualidade tão vista, pelo menos por mim. Qualquer extremo seja ele qual for, levará a cegueira.