Os lúcidos seguidores

17 de dez. de 2013

Conhecendo a si mesmo



            Quantas e quantas pessoas acham que se conhecem, mas que ao olhar o espelho se perguntam de uma forma instintiva, quem é esse? Conhecer a si mesmo é tão complicado quanto conhecer o próximo, afinal nossos olhos estão voltados para fora e para dentro só resta a escuridão e a percepção do que somos. Somos aquilo que queremos ser, somos o que o nossa boca diz. Somos na verdade, o olhar que o espelho reflete. O olho voltando para dentro e buscando ver o que é escuro para nossa mente e tão nítido para os outros.

O velho e habitual


            O velho e habitual clichê da noite inspiradora, esse é o meu velho dilema.
            Não sei se estou ficando velho ou se minha cabeça é que não evolui, mas certas noites para mim são como dia, sempre tendo algo querendo queimar meus olhos. Por isso durmo cedo para acordar cedo, ironicamente com a luz rasgando os meus olhos. Porquê aquilo que me inspira, me repele? Afastar do negro é afastar de mim, a minha essência solitária, a alma de um poeta vadio.

            Depois de um tempo perdido na minha própria infâmia, vi o quanto fui ingênuo, pois sempre foi assim, a noite é minha repulsa, é algo que me completa, mas que não é natural de mim, e sim algo colocado por mim, pois só assim, me sinto poeta. Escrevendo nas noites vagas e silenciosas, palavras que transbordam do meu ser.

10 de dez. de 2013

A caixa de pandora


- Posso abrir a caixa?
- Pode.
- O que tem dentro?
- Ninguém sabe, nem mesmo eu.
- Então eu vou ter que pagar o preço seja ele qual for, por abrir a caixa?
- É o risco que você vai ter que correr.
            A curiosidade matou o gato e também já matou o homem. O gato morreu de susto e o homem morreu de decepção. De qualquer jeito, foi tudo culpa da curiosidade. O desejo incontrolável. O preço impagável.
- Não vou mais abri-la.
A dúvida faz o homem recuar.
- Tem certeza?
- Não sei, só sei que não quero sofrer.
            A olhar a caixa a mente ardilosa se envenena de pensamentos, tentando prever o futuro, futuro esse em que a caixa já esta aberta. A mente o envenena. O veneno esta dentro dele e não fora. Maldita curiosidade. Maldita ilusão.
- Vou abrir.
- Esta bem, abra.
            Ao examinar a caixa não viu, nenhuma fechadura.
- Não precisa de chave?
- A caixa é fechada não por fechadura, mas sim pela vontade própria.
- E se ela não quiser abrir?
- É uma pena, só tenho a lamentar.
            O homem abriu a caixa aos poucos, até estar totalmente aberta.

            A curiosidade matou o homem, a sangue frio. O corpo estirado no chão, ao lado a caixa fechada. O homem aceita todo tipo de mentira, abraça qualquer tipo de ilusão, mergulha de cabeça nas armadilhas do amor, mas homem nenhum esta preparado para verdade. A verdade dói. A verdade machuca. A verdade absoluta acaba com qualquer tipo de ilusão, até mesmo a maior de todas, a vida.

3 de nov. de 2013

Um segundo a frente



            A rua metafórica se transforma a cada grafite, e eu mudo a cada passo que dou, e por isso ando até o meu corpo fraquejar, ando no intuito de não ser aquele cara de um segundo atrás. Um segundo atrás eu era um cara qualquer, um segundo a frente sou o futuro, sou a resposta, sou uma ilusão.

2 de nov. de 2013

Cala-te

            
            O homem fala sem pensar, e assim cospe da sua boca, dizeres que comem as pessoas e as mostram a verdadeira dor, de morrer em vida, sofrendo ou chorando não sua dor, mas a dor do homem, que não sabe que as palavras cortam e também fazem sofrer.

            O homem sabe dirigir, sabe andar, sabe somar e sabe até dizer quando vai chover, o homem é quase fantástico, pois o homem ainda não aprendeu as coisas simples da vida, a ver o palmo a sua frente. O homem é tão pequeno, que vai matando os outros com palavras fracas, e que se engasga e se mata aos poucos, provando do próprio veneno que o seca, seco com uma fruta seca. As pessoas que ouvem o homem, apenas sentem pena. Eu sinto pena e fico com a vontade engasgada de dizer: Cala-te.