Os lúcidos seguidores

23 de nov de 2012

O chão que se fundia comigo



            Deitada ao chão, ela se sentia vazia. O vento batia e a levava. Sua cabeça sem nexo, viajava. O seu olhar torto, tentava de toda forma, manter o horizonte na vertical. O seu corpo caia e caia num abismo sentimental e ela num desespero tentava se agarrar com os abraços esticados, mas de nada adiantava, ela continuava a cair, em pleno asfalto plano. Os seus sentidos, aguçados atormentavam, ilusões passageiras, dores eternas, medo, agonia, tristeza e a lucidez que partiu, aboliu daquele corpo, e se fez livre. A droga consumia o sangue vermelho daquela pobre mulher. E ela apenas tentava sobreviver, se agarrando nas arestas, gritando por socorro, esperando o fim. O fim da noite. O fim da lombra. O fim de uma possível vida, para surgimento de outra.

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