Os lúcidos seguidores

18 de dez de 2013

A cegueira poética


            Ela era uma garota inteligente, falava três línguas e desenhava paisagens como ninguém. Era pintora, desenhava nos quadros paisagens que ela nunca viu, e nem fazia questão de ver. Afinal, os olhos dela eram cegos, apesar de que ela conseguia ver as pessoas a sua frente, sempre fazia questão de esbarra-las, só por inconveniência. Ela não via as luzes, mas as sentia em seu corpo, desenhava todas as cores, sabia de cada espaço, via tudo que tinha de ver mesmo com os olhos fechados. Andrezza não sabia o que era a escuridão, e morrerá sem saber.
            Deixar de ver nem sempre é ver escuridão. Deixar de viver, é ser cego. Não ter olhos é ver com as mãos. Ver escuridão é ser cego, mesmo com dois bons olhos, em sua face montada.

            

Um comentário:

Anônimo disse...

Essa Andrezza é apaixonante. Quero uma Andrezza pra mim ♥