Os lúcidos seguidores

11 de fev. de 2012

O rei



Andou na rua como se fosse um embriagado
Cambaleou na calçada, achando que era o dono
Encarou as pessoas pensando que era o rei
Gritou e falou como se todos os ouvissem
Desabafou e contou a vida para o nada
E continuou andando fingindo ser um embriagado
Para não assim não ter que sentir vergonha
E talvez justificar os fatos
Andou para todos os lados, sem chegada
Chegava ao seu fim
Segurava um litro de gim, mas sem beber um gole
Estava totalmente embriagado
Ele via horizonte, tentando achar a si mesmo
Não via nada de diferente
Gritava achando que era o rei da própria vida
Sem pressa continuou a caminhar
Sem fim ou sem chegada, apenas ia
Numa dessas esquinas, seu corpo se entregou
Caiu no chão, no meio de tantos indiferentes
Um rei adormecido, confundido como mendigo
E todos nem davam atenção

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